Porque a Inglaterra perdeu a Copa

Se existe um pais em que a populacao eh tao apaixanoda por futebol quanto no Brasil, esse pais eh a Inglaterra. Futebol aqui eh levado a serio, muito serio. Assim como no Brasil, nao eh dificil de se encontrar garotinhos batendo uma pelada em plena segunda-feira depois da aula. A diferenca eh que, por mais simples que seja a partida, vc nao vai encontrar ninguem jogando descalco, sem camisa e com uma bola de meia. Como ja disse, futebol aqui eh coisa seria, ateh demais.

O futebol ingles, como o mundo inteiro sabe, eh um dos mais ricos. Clubes como Chelsea, Manchester United, Arsenal, Liverpool e Manchester City funcionam como empresas e, seus jogadores, como maquinas de fazer dinheiro.  E toda essa industria funciona muito bem. Para se ter uma ideia, se voce quiser assitir uma partida da Premier League no estadio de Wembley, em Londres, o minimo que voce tera que desembolsar serao 40 libras (cerca de R$ 120). Ja, no Brasil, lembro de assistir incriveis partidas pelo Brasileirao na geral do Morumbi e pagar apenas R$ 15 (cerca de 5 libras). Nessa linha, os clubes daqui faturam bilhoes todos os anos, enquanto os jogadores, alem do dinheiro, ganham fama e status de celebridade.

Triste de se ver

Carentes de craques nascidos em solo ingles, os grandes times procuram em outros paises jogadores talentosos para montar uma base no minimo competitiva. Os poucos ingleses, no entanto, mesmo nao sendo tao talentosos, se tornam pop-stars. Acredito que isso tenha comecado com David Beckham, quando ele apareceu para o mundo em 1998 e, quatro anos depois, era o astro do English Team na Copa. Apesar de  apenas casos como a chifrada que o ex-capitao da selecao Terry deu em um dos colegas terem chegado a midia brasileira, os jogadores estao sempre na TV por aqui, seja fazendo comerciais, cantando e ate apresentando programas. Tudo, menos futebol.

E foi exatamente ai que a Inglaterra se complicou nessa Copa. A selecao inglesa foi a primeira a garantir a vaga para o mundial. Do meio campo para frente, tinha um time tecnico e veloz. Na zaga, um trio comandado por ninguem menos que Rio Ferdnand. No banco, um dos melhores tecnicos do mundo e, alem disso, o ataque tinha um dos melhores do mundo na posicao, Wayne Rooney. No papel, quem na invejaria o time da Inglaterra? Pelas ruas, os ingleses estavam realmente confiantes. Creio que pelo menos 60% dos carros daqui de Bournemouth tinham a bandeira nacional na janela. Acho que eles realmente achavam que iriam vencer. E realmente acredito que o povo daqui merecia uma conquista como a Copa do Mundo. Mas o que se viu na Africa do Sul foi completamente diferente do que se imaginava. Nas palavras de Miroslav Klose, um dos carrascos alemaes na vitoria de 4×1 sobre o English Team (alias, a pior derrota da historia inglesa em Copas do Mundo), “os jogadores nao atuaram como um time”. Exatamente, eles eram bons elementos, mas que,  jogando por si mesmos, nao puderam fazer nada. Lembra como a gente ficou puto com aquela selecao brasileira de 2006? Cafu, Ronaldinho, Roberto Carlos, Ronaldo, Adriano todo mundo de salto alto, achando que tava no papo e que o importante era jogar para bater os recordes pessoais. E foi ai que a gente se ferrou, neh. Este ano, quem foi vitima dessa armadilha da vaidade foi a Inglaterra.

O orgulho dos ingleses caiu diante da Alemanha

Eu sinto pena apenas de jogadores como Rooney, Gerrard e Lampard, que parecem ser os unicos com algum comprometimento, os unicos que realmente mereciam ir mais longe. Fica de licao.

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E, finalmente, a solução

E apos cinco dias de conversas, incertezas e muitas perguntas, o cenario politico britanico foi finalmente resolvido nesta terca-feira. O ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, apos um discurso historico ao lado de sua esposa e filhos, deixou a sede do governo do Reino Unido, em Downing Street, Wintchester, cendendo finalmente o espaco para o lider do partido Conservador, David Cameron.

Pois eh, depois de 13 anos, a Inglaterra volta as maos dos Tories. Nao eh uma coisa tao surpreendente, tendo em vista que, nos ultimos dois governos, os Trabalhistas acabaram deixando de lado questoes que hoje tomam grandes proporcoes no cenario nacional, como imigracao, aumento da divida do pais e desemprego.

A questao toda eh: ninguem aguentava mais Gordon Brown. Apos as eleicoes da ultima quinta-feira, nas quais o Partido Conservador recebeu a maioria dos votos (mas nao a maioria absoluta), ficou no ar uma situacao conhecida como Hung Parliament, que eh quando nao ha de fato um primeiro-ministro escolhido pelo povo. Gordon Brown estava la, mas, no fundo, ja sabia que aquele seria seu fim. Nas ruas, todos se pergutavam ‘o que ele estah fazendo la ainda? Ninguem votou nele’.

E nao deu outra. Nao aguentando a pressao, na segunda-feira Brown declarou que iria renunciar de seu cargo. E, no dia seguinte, apos saber que finalmente os Liberais Democratas e os Conservadores haviam entrado em acordo para formar uma governo de coalizao, ele anunciou que estava de saida.

Acho que o povo britanico ja estava de saco cheio do governo morno de Brown. Era um chove-nao-molha em importantes areas da administracao. Um dos pontos que tenho certeza que sera mudado com o governo conservador sera a questao da imigracao. Durante muito tempo, a Inglaterra aceitou receber gente do mundo inteiro com muita facilidade. Soh que agora, o cenario eh diferente. Cidades como Birmingham, Londres e ateh Bournemouth estao mais do que lotadas de imigrantes, coisa que deixa muito ingles old fashion meio revoltado. Acredito que as coisas vao mudar e muito para os estrangeiros e, tenho certeza, para pior.

Por outro lado, o vice-primeiro-ministro de Cameron eh o lider do Lib-Dem , Nick Clegg, que, com certeza, soh deve ter assinado acordo com os conservadores depois de muita conversa e com a garantia de que iria conseguir atingir as principais metas de seu partido. E uma das coisas interessantes eh que Clegg eh casado com uma espanhola. Ole!!

Clegg e Cameron. Quero ver quem vai falar mais alto

Pois eh, situacao mais imprevisivel eu nao poderia imaginar. Mais uma vez, Nick Clegg, a sensacao da campanha eleitoral fez a diferenca e, nao dando ponto se noh, conseguiu o segundo mais alto cargo no escalao do governo britanico. Soh pra fazer uma analogia, uma uniao entre os Tories e os Lib-Dems eh a mesma coisa que uma uniao entre PCdoB e PSDB no Brasil. Governo quente, soltando faisca!

Eleições no Reino Unido: tudo bem explicadinho

Na ultima quinta-feira aconteceram por aqui as eleicoes gerais. Desde que cheguei eu estava empolgado com essa historia de eleicao. Imaginava que todo mundo participaria, que seria como eh em Sao Paulo, onde dia de eleicao eh sinonimo de transito e loucura. Que nada. Se eu nao assistisse TV, ouvisse radio ou acessasse a internet, eu nunca ia adivinhar que houve votacao por aqui, ja que nao ha chuva de panfletos pelas ruas e que apenas cerca de 50% da populacao em idade para votar, votou.

O sitema eleitoral britanico eh confuso. Existem diversos partidos, mas apenas 3 deles possuem grande representacao no Parlamento: os Conservadores (ou tories), os Trabalhistas (do atual premie Gordon Brown) e o Liberal-Democratas (Lib-Dem para os intimos). O sistema eleitoral eh indireto, ou seja, o eleitores votam nos Membros do Parlamento (MP, similar a um deputado), que escolhem quem sera o novo primeiro-ministro. Entretanto, apesar de o eleitor nao ter o poder de escolher diretamente entre os candidatos a chefe do Executivo, a campanha que antecede os dia da eleicao eh totalmente feita pelos lideres do partido. Por exemplo, se o Gordon Brown viesse pra Bournemouth fazer campanha, ele nao pediria voto para si proprio, mas sim para o candidato a MP do Partido Trabalhista de Bournemouth. Entao, como vc ja deve ter entendido, o eleitor vota em um cara sabendo que esse cara, se eleito para o Parlamento, vai votar para que Gordon Brown seja reeleito primeiro-ministro. Complicadinho, neh.

Gordon Brown: nao saio, nao saio, nao saio

Mas nao va pensando que acabou nao. O Parlamento atualmente possui 650 cadeiras e o partido que conseguir metade das cadeiras mais uma – 326 para os bons de matematica – tem o direito de eleger diretamente o lider de sua agremiacao para o cargo de primeiro-ministro. Se nao houver maioria absoluta de nenhum partido, acontece o que eh chamado aqui de Hung Parliament (nao achei nenhuma traducao cabivel, entao vai o nome ingles mesmo), que eh quando o atual primeiro-ministro permanece no cargo ateh que algo seja decidido pelos MPs.

E foi exatamente isso que aconteceu nas eleicoes deste ano. Os tories tiveram o maior numero de MPs eleitos, mas nao conseguiram atingir a maioria aboluta do Parlamento e, consequentemente, nao elegeram seu lider, David Cameron, para o cargo de primeiro-ministro – situacao que nao acontecia desde 1974.  

Cameron: o partido venceu, mas ele nao

Agora eh que o bicho vai pegar. Gordon Brown ja declarou que nao pretende deixar 10, Downing Street, o endereco onde vivem os primeiro-ministros enquanto estao no poder. Os Lib-Dem, junto com seu lider, Nick Clegg, se tornaram objeto de desejo para a formacao de um governo de coalizao. Eh que, juntos, os trabalhistas e os Lib-Dems teriam a maioria no Parlamento, consolidando, assm, uma base para a manutencao de Gordon Brown no poder. Acontece que ontem, Cameron, dos conservadores, disse que sua legenda estah disposta a negociar com os Liberais Democratas para formar uma maioria absoluta baseada na coalizao de dois partidos. O engracado eh que, mesmo os Tories sendo extrema direita e os Lib-Dems sendo extrema esquerda, Cameron afirmou acreditar que os dois partidos possuem ideais em comum. Very funny! Mais engracado ainda eh ver que Nick Clegg disse que os liberais estao mais para o lado dos Tories do que para o dos trabalhistas.

E o futuro do Reino Unido nas maos de um cara: Nick Clegg

O sistema eleitoral e seus problemas

Apesar de possuir o voto facultativo – uma das melhores caracteristicas para a construcao de uma democracia inteligente -, na minha parca opiniao, o sistema eleitoral britanico mostrou-se falho no peito de 2010. Vou explicar porque. Imagine que a Inglaterra seja formada por cinco cidades, A, B, C, D e E. Agora imagine que nessas eleicoes, os candidatos conservadores de A e B – as duas maiores metropoles – receberam cerca de 1 milhao de votos cada e foram eleitos, somando 2 milhoes. Agora imagine que os candidatos Trabalhistas de C, D e E (cidades menores) foram eleitos em cada uma das cidades com 300 mil votos, somando 900 mil votos para os trabalhistas.

Certo, no mesmo ambiente de imaginacao, pense que os cinco MPs – dois conservadores e tres trabalhistas – vao agora para o Parlamento. De qual partido vc acha que o primeiro-ministro sera eleito? Fica claro que, mesmo representando a vontade de 2 milhoes de eleitores, os dois conservadores possuem menos poder no Parlamento do que os tres Trabalhistas, que representam apenas 900 mil eleitores.  Isso eh eleicao indireta: nao representa exatamente o desejo da maioria da populacao.   

Voltando a realidade,  no atual cenario, apesar de terem vencido com a maioria dos votos, os conservadores correm o risco de nao elegerem um primeiro-ministro se os trabalhistas conseguirem uma alianca com os Lib-Dems – coisa que seria bem provavel. Em eleicoes diretas, como temos no Brasil, essa situacao seria facilmente resolvida com um segunto turno, coisa inexistente por aqui. Coisa de ingles. E como diria minha avo, essa historia ainda vai dar muito pano pra manga.

Como as coisas funcionam por aqui

 

Abril foi um mes atarefado pra mim e, por conta disso, andei meio em falta com o blog. Agora, aproveitando o feriadao de May Day pra descansar, resolvi sentar e escrever um pouco.

Desde que cheguei a Inglaterra, sempre quis fazer um post sobre como as coisas funcionam por aqui. Agora, depois de quase tres meses, acho que ja vi coisa suficiente pra relatar no blog. Claro que as diferencas entre Brasil e Reino Unido nao terminam apenas no clima e na alegria das pessoas. Nunca tinha passado tanto tempo fora do Brasil e, nesse periodo, acumulei algumas experiencias interessantes, mas, pra mim, uma das melhores coisas eh observar as diferencas entre os habitos britanicos e os brasileiros. 
 

Pubs
Ah, os pubs. Como eu os amo. Serio, poderia passar dias vivendo dentro de um pub. Diferente dos pubs que eu conhecia em Sao Paulo – falo de O’Malleys, All Black e Rhino – os daqui nao sao sinonimo de balada e precos altos. Pelo contrario, eh um lugar para toda a familia comer, beber, assistir TV, ler jornal, conversar… enfim. Faz parte da cultura inglesa. Mas, se durante o dia os pubs sao uma area de lazer onde vc pode comer e beber cerveja de qualidade por um preco amistoso, durante a noite, muitos deles se transformam em um lugar para paquerar, conhecer gente e fazer o famoso esquenta pre-balada. Ah, eu amo os pubs. 

Meu pub favorito, 60 Million Postcards

Calor
Pode ter certeza. Se tiver 15 graus la fora, ta todo mundo de camiseta e com as pernas de fora. Os ingleses go crazy quando o clima ta bom. Morando em cidade litoranea, percebo muito isso. Enquanto eu to vestindo blusa, jaqueta e jeans pra passear com o cachorro, tem gente na praia sem camiseta soh porque o ceu ta azul e a temperatura ta acima dos 15 graus. Loucura, bixo!

Busao
Como uma das principais caracteristicas do povo que nasce nesta terra eh a pontualidade, a populacao precisa de um sistema de onibus pontual e eficiente. Nao sei como eh nas outras cidades, mas aqui em Bournemouth – onde os engarrafamentos sao raros – ha duas empresas de onibus que sao extremamente pontuais e que cobram de acordo com a distancia que vc percorre. Por exemplo, se eu quiser pegar um onibus daqui de Westbourne para o centro, eu pago £1,30 para o motorista (isso mesmo, sem cobrador). Mas se eu for pra Southbourne, o valor sobe para £1,90. Interessante, pontual e caro!  

Voltando ao esquema da pontualidade, lembrei de um problema. Se, por exemplo, o busao chega no ponto antes do horario que deveria chegar, ele fica parado esperando ateh dar o horario certinho pra sair. Justo, porem se vc esta com pressa, isso frita seus nervos.

Reciclagem
Uma das primeiras coisas que notei aqui foi que todas as casas possuem pelo menos duas lixeiras – uma pra lixo organico e outra pra reciclavel. No Brasil, tem sempre aquele ecochato falando na TV pra gente separar o lixo reciclavel do organico, mas o problema eh que, pelo menos em Sao Paulo, isso nunca funcionou e nem foi colado em pratica. Ja tentei diversas vezes separar o meu lixo, mas pouco adiantava ja que os funcionarios da limpeza do meu predio sempre misturavam tudo de novo. Entao nunca achei que valeria a pena continuar. Soh que aqui o buraco eh mais embaixo. Todo mundo tem que separar o lixo em casa e dispensa-lo em uma das duas lixeiras concedidas a cada imovel pelo Conselho da cidade – tipo uma prefeitura – para lixo reciclavel ou organico. Quem nao seguir as regras e nao separar o lixo pode ser multado.Uma outra coisa interessante eh o fato de que a maioria das pessoas levam suas proprias sacolas quando vao ao mercado. Isso foi moda no Brasil em meados de 2007, mas nao pegou. Aqui nao eh moda, eh comportamento. E, em alguns mercados, se vc nao levar sua propria sacola, vc tem que pagar por cada nova sacola que vc precisar. Importante isso em um pais cujas fontes e recursos naturais sao escassos e onde alcool eh apenas coisa que serve pra beber e nao pra abastecer o carro. 

Self-service
Falando em combustiveis,  me senti numa cena de filme a primeira vez que abasteci o carro por conta propria. Apesar de ter esquecido de fechar a tampa do tanque e sair com o negocio pendurado no lado do carro, foi interessante. Pois eh, aqui a gente eh que tem que sair do carro, abastecer, pagar e tudo mais. Sem frentista no posto de gasolina. Nao sei isso eh bom ou ruim, mas eh diferente. As vezes acho que demora mais, pois a gente tem que sair do carro, passar o cartao, abastecer, fechar o tanque e voltar pra dentro do carro. Mas algumas vezes acho que eh mais rapido. Lembro, por exemplo, de uma vez em que, quando ainda estava no Brasil, parei num posto com a minha noiva pra abastecer e o frentista tava demorando pra atender a gente porque tinha dado um problema no cartao de um outro cara. Enquanto isso, a gente ficou ali sem poder fazer nada, soh esperando. Ela me perguntava ‘por que vc nao abastece por conta propria’, ‘ha, ha, nao eh assim que as coisas funcionam por aqui’.    

Outra coisa legal eh que agora ateh alguns supermercados tem esse sistema de self-service. Nao precisa de operadora de caixa, vc mesmo escaneia os produtos que quer comprar, empacota, paga e vai embora, muito mais rapido.Estacionamentos aqui sao todos publicos. Nao existem aquelas grandes redes que cobram o olho da cara soh pra te dar um lugar pra parar o carro. Nos estacionamentos, nao existe nenhum funcionario. Assim como no posto, vc paga pra uma maquina, que muitas vezes fica com seu troco. Nao existem manobristas e nem vallets, vc se vira. Pelo menos eh baratinho.

Contas
Desde que moro aqui nesse flat, ainda nao vi nenhuma conta de luz, gas, ou agua chegar. Por aqui, em vez de chegar todo mes, as contas de despesas domesticas aparecem a cada 2 ou 3 meses. Um pouco baguncado esse sistema, mas pelo menos vc nao precisa ficar preocupado em pagar todo mes. 
Aqui cada imovel, alem dos servicos extras como telefone, internet, TV a cabo, deve pagar uma taxa para o conselho – tipo um IPTU – que tem o valor variado dependendo de onde vc mora, a licensa de TV, que eh uma taxa anual que vai direto pra BBC e gas, que geralmente eh a mais cara por conta dos chuveiros, pias e aquecedores.

Comida e piadas
Nao quero me prolongar muito nesse topico porque cada uma dessas duas palavras valem um post, mas uma coisa tem que ser dita: um ingles prefere ser conhecido pelo seu senso de humor do que por ser bom com as mulheres. Outra coisa: o povo ingles eh obsecado por comida. As conversas, as reunioes, os programas de TV, tudo eh relativo a comida nesse pais. Isso sim me faz go crazy!

Esses foram os primeiros topicos deste post, que prentendo manter sempre atualizado cada vez que encontrar mais coisas loucas, doentis ou interessantes nesse lugar. Copiando meu querido Toquinhas, That’s all folks!

Stratford – onde Shakespeare nasceu

Ir pra Stratford foi uma sugestao do Spuldar, que disse que visitou a cidade quando esteve em Birmingham. Entao, ja que eu estava na area, pensei, ‘por que nao?’. Stratford-upon-Avon fica a cerca de meia hora ao sul de Birmingham e eh conhecida por ser a cidade onde nasceu e viveu William Shakespeare.

Comecei a me interessar por Shakespeare quando eu estava no colegial e fazia parte do grupo de teatro da escola. Foi uma das fases mais importantes da minha adolescencia, na qual passei a ler mais e conheci grandes amigos que estao comigo ateh hoje. Em 2006, sob a direcao de Paulo Capovilla, montamos Sonho de uma Noite de Verao, que eh, diga-se de passagem, o primeiro texto teatral da historia que mistura os generos comedia e tragedia. Pois bem, voltando a 2010, eu nao podia perder a oportunidade de conhecer a casa em que um dos mais importantes escritores da historia nasceu.

Stratford carrega em sua arquitetura os tracos da Idade Media. A cidade inteira eh cercada de pontos turisticos e, consequentemente, cheia de turistas. Por causa disso, chegando la, demoramos mais de meia hora soh pra achar algum estacionamento com vaga. Estacionados, estavamos prontos para explorar a cidade.

A primeira parada foi em uma loja muito estranha. La encontramos pacotes com feiticos, livros do tipo ‘Como cozinhar criancas’ e CDs com musicas para entrar em contato com espiritos. Saimos de la com um feitico e com um pacote de balas que explodem na boca. Uma parada para almocar – lugar pra comer eh o que nao falta – e estavamos prontos para entrar no museu de Shakespeare.  Mas, enquanto seguiamos para o local, uma multidao se reunia no meio da avenida principal da cidade. No centro, dois atores encenavam um pedaco de Sonho de Uma Noite de Verao – uhuuu! A cena era uma discussao entre Demetrio e Hermia. Sensacao estranha, misturada com entretenimento. Apos os atores terminarem a cena, enfim, seguimos para o museu.

Era assim que o Demetrio deveria ser, viu?

O ingresso eh 12 libras e da direito a ir ao museu audiovisual – onde vc passa por ambientes que contam a historia da vida de Shakespeare –  e a casa em que o escritor nasceu. A residencia shakesperiana era realmente grande para sua familia, que era razovelmente pequena. A sensacao de entrar la eh realmente a de cruzar o tunel do tempo e viajar ateh 1500 e pouco.

Foi aqui que ele nasceu

Na lojinha que fica depois do museu, encontra-se todo o tipo de souvenir que se possa imaginar. Saimos de la com um lapis – estava realmente precisando – um livro com TODA a obra de Shakespeare, pela barganha de 14 libras, e um conjunto de imas de geladeira com xingamentos shakesperianos.

Apos mais uma caminhada e uma volta de barco pelo rio que corta a cidade, paramos na praca principal da cidade. Eh la onde fica o mais famoso grupo teatral do mundo, The Royal Shakespeare Company, que possui um puta teatro com dois palcos enormes soh para seus atores, que soh interpretam textos do autor. Pena que o edificio estava em reforma, mas valeu.

Em seguida tinhamos que jantar, porque as 19h30 tinhamos que estar prontos para a Ghost Walk. No restaurante, do qual nao me recordo o nome, pedi um prato tradicional ingles, kedgeree. Horrible!

The Ghost Walk

Quando me falaram que a gente ia fazer uma Ghost Walk pela cidade, pensei que iria ficar correndo de fantamas e monstros pelas ruas de Stratford. Algo que pra mim seria divertido. Ledo engano. Era soh um homem estranho, baixinho, vestido de Ze do Caixao, que guiava o grupo pelos pontos assombrados da cidade. Boring… Principalmente com as magicas e os olhares que o Cuffin Joe fazia pra assutar a gente.

Tirando isso, achei Stratford a cidade mais interessante em que ja estive ateh agora. Pena que tivemos que voltar no mesmo dia. Adoraria passar a noite em um daqueles hoteis e decobrir se os fantasmas que rondam a cidade sao realmente reais.

Birmingham, cidade grande

Birmingham foi a cidade mais feia em que eu estive ate agora. Famosa por ter sido um dos bercos da Revolucao Industrial, Birmigham eh a segunda maior cidade da Inglaterra, perdendo apenas para a capital, Londres.

Quando cheguei la, senti como se estivesse em Sao Paulo, soh que com um pouco mais de roupa do que eu costumava andar por la. Quando paramos o carro e comecamos a andar pelo centro da cidade, me deparei com duas coisas surpreendentes: Birmingham tem um canal cortando seu centro– nunca havia imaginado isso – e o predio mais feio que eu ja vi em toda a minha vida. Fiquei por la dois dias e aproveitei pra me inteirar mais sobre a historia da cidade.

Veneza? Nao, Birmingham!

Birmingham fica exatamente no centro geografico da Inglaterra, a quase tres hora de Bournemouth. Coincidentemente, o fim de semana em que fui pra la foi o mais quente do ano e eu estava meio que revoltado com isso. Oras, esperei mais de dois meses pra pelo menos poder tirar o agasalho na praia e, quando tenho a oportunidade, vou pro lugar mais afastado do mar – tipico. Mas beleza, tentei aproveitar a viagem ao maximo mesmo assim.

Aparentemente, Birmingham tem as caracteristicas de toda e qualquer grande cidade. Ruas sujas, grandes predios comerciais, lojas para todos os gostos e restaurantes para todos os paladares. Dizem as mas linguas que la eh possivel encontrar o melhor curry da Inglaterra pelo melhor preco – nao achei.

Por falar em curry, como tem estrangeiro em Birmingham! Serio, andando no centro, 80% das pessoas que voce encontra sao estrangeiros. Principalmente pessoas vindas do Oriente Medio. Acredito que isso seja por conta do grande numero de estudantes da Universidade de Birmingham, uma das mais antigas do Reino Unido.

O predio mais feio que ja vi na minha vida

Mas, apesar de nao ser do meu gosto, o que realmente impressiona em Birmingham eh a arquitetura. A cidade tem um mix interessante de construcoes muito antigas e predios ultramodernos. O hospital, que atualmente fica em um edificio construido no seculo XIIX esta de mudanca para um novo impressionante supercomplexo que esta sendo construido bem ao lado. Imagino que o antigo devera se transformar em museu, o que seria mais um ponto interessante.

A esquerda, o novo hospital. A direita, o velho e sua clock tower

Essa area da cidade, por sinal, foi a que eu mais gostei. Alem do hospital, tem o principal campus da universidade, que possui predios incriveis e sempre gente jovem por perto.

Na hora do almoco, fomos a um japones que amigos sugeriram – Woktastic – fica perto da praca Victoria, no centro. Sabe aquele tipo de sushibar em que o sushiman fica fazendo os pratos enquanto as pessoas ficam sentadas em volta dele? Pois eh, o lugar tem esse estilo, alem da comida, que era fantastica. Acho que nunca comi tanto na minha vida – 10 libras e All You Can Eat!!

No fim das contas, achei que apenas 2 dias nao sao suficientes para aproveitar tudo o que Birmingham tem para oferecer. A cidade eh grande e tem muita coisa pra fazer. Acho que ainda volto la, principalmente quando quiser me sentir um pouco em Sao Paulo.

Páscoa na Inglaterra – weiiird!

A pascoa aqui foi diferente de qualquer outra que já vivi. Primeiro, o mais estranho: alem da sexta-feira santa, sábado de aleluia e domingo de pascoa, tem ainda a segunda-feira de pascoa. Ou seja, o feriado tem 4 dias! Depois falam que brasileiro eh preguiçoso. Pois eh, dando uma pesquisada, descobri que essa tal segunda-feira, que em alguns lugares eh chamada de Segunda-feira do Brilho, eh também feriado em pelo menos outros 113 paises do mundo – olha a gente ficando pra trás nessa historia!

Por conta desse feriado, muita gente veio aqui pra cidade e finalmente descobri que morar na praia nem sempre eh maravilhoso. Devido a todo esse turismo, o centro de Bournemouth tava lotado. Tinha um Beer Festival rolando durante todo o fim de semana e uma feirinha de comida tailandesa tomou conta dos jardins centrais. Sem contar o transito, ah o transito. Pobre de mim que pensava que so em São Paulo tinha engarrafamento. De Westbourne, onde moro, ate Southbourne, que fica a uns 8 km, gastamos mais de meia hora, tudo por causa do excesso de veiculos nas ruas.

Mas beleza, tranquilo. Ja que ninguém eh de ferro, na quinta-feira fui ao mercado comprar um ovo de pascoa. Pensei que ia chegar la e encontrar uma tonelada de ovos, com diversas opções de tamanho, cor e sabor, me enganei. Na maior rede de supermercados da Inglaterra, encontrei apenas uns 5 tipos de ovos, todos no mesmo tamanho. Ateh a embalagem eh diferente. Estranhamente, todos eles vem dentro de caixas, e os bombons não ficam dentro do ovo, mas numa caixinha a parte dentro da caixa do ovo. E o sabor nem se compara ao do chocolate brasileiro – nao so na pascoa, mas qualquer chocolate ingles tem um gosto muito estranho. Uma loucura. Apesar disso, uma coisa eh boa – os ovos não são caros como no Brasil, com cinco libras comprei um ovo que não sairia por menos de 40 reais em qualquer supermercado de São Paulo.O que percebi com isso foi que , apesar da obsessão por comida que o povo britânico tem (conteúdo para um próximo post), as crianças aqui não se descabelam por ovos de pascoa como no Brasil.

Quer um ovinho? Vai achar apenas uns 5 tipos

Por aqui também não existe a tradição de não comer carne vermelha nos dias de pascoa. Tudo mundo aproveita o feriadao pra tirar a barriga da miséria e, se tiver calor, por que não um churrasquinho? Eu, como bom brasileiro e seguidor das tradições, mantive meu costume e comi peixe durante todo o feriado (viu mãe?).

Mas, pra mim, o interessante nisso tudo são as diferenças entre os povos. Apesar de o Reino Unido e o Brasil serem nacoes cristas, o foco por aqui eh outro. Aqui pascoa não eh época de loucura, de comprar chocolate, ou de fazer aquele almoço caprichado pra família no domingo. O que rola por aqui eh a vontade de sair das grandes cidades e espairecer. A pascoa aqui eh o primeiro feriado do ano depois do fim do inverno e acho que tudo o que o inglês quer eh relaxar. Uma pena, pois ninguém aqui conhece o sabor de um bom e velho bacalhau.